quinta-feira, 19 de julho de 2012

nova configguração do blogger

mais um vez vou reclamar da nova configuração do blogger. ficou uma joça. cheia de vãos por onde escapam os ânimos. para encontrar uma postagem, tu tens que dar duas voltas atrás do rabo. e para editá-la, mais uma. pessoas como eu não têm todo esse tempo de armazenamento de memória. ou o texto se registra enquanto flui, ou se perde nos trâmites. quando a idéia está pronta, ela está já prestes a perecer. e, do jeito que está o sistema de configurações de postagens, os textos se esvaem e se ex, vão. nunca mais encontro. não posso mais nem ver meu rabo. enfarei.   

teimosas

troquei minha internet de 5 mega por uma de 1. percebo que a idade nos leva a paciência, e não o contrário. gosto de deixar as janelas abertas, mas agora está difícil. o vento preguiçoso não têm força para manter o ângulo das venezianas. parece que elas têm molas. teimosas. 

Clara

"Eu sou responsável pelo que digo, não pelo que você entende". Foi então que Clara não entendeu mais nada. Deixou de entender como quem larga um copo de cerveja na estante e diz que largou a bebida.

Do hábito

Tenho o perigoso hábito de dizer o contrário do que estou pensando, num tom que para mim fica claro ser o contrário do que estou pensando. Para mim.  Alguns chamam isso de ironia; outros, de neurose; outros me tiram para uma pessoa nada formidável. À propósito, minha auto-descrição no Twitter é "pessoa formidável". Porque li no dicionário que "formidável" designa o pavoroso e o extraordinário, o terrível e o excelente ao mesmo tempo. E porque tenho o tal perigoso hábito.


Tenho poucos hábitos. Não engreno em rotinas. Sou como um trem sem trilhos, desgoverno. Por muito tempo isso me desagradou. Eu queria me apropriar de hábitos como quem compra um livro, um maço de cigarros. Até que li a biografia de Montaigne e concluí que ele foi um homem "sem" hábitos, o que vejo até na sua escrita, cheia de digressões. Ao digressionar somos levados ao descarrilhamento, tentados ao desgoverno, e corremos o maravilhoso risco da contradição. Hoje eu acordei sem o ânimo encarangado de frio. E me sentei aqui. E escrevo pela manhã. E bebo café. Hoje eu abri a porta para os cachorrros. 

segunda-feira, 2 de julho de 2012

merda

eu gostaria de escrever aqui o som de um suspiro. a palavra que o identificasse. diretamente. indubitavelmente. mas não sai.

quando pinto

Não escrevo quando pinto.

A palavra emperra. E não adianta diluir com água.

domingo, 1 de julho de 2012

desde ontem

a cachorrada está em alas. latidos de todos os sons e intenções. temo que meu cão fique rouco para sempre. e que tenha um ataque cardíaco. ele é idoso, mas não se sente. ainda joga bola, ainda corre feito lebre, ainda brinca de se esconder.

apareceu com um osso podre, feliz da vida.

(não pude nem xingar).

antes que eu enchesse o pulmão de ar, ele deu no pé, latindo. era um som agudo de orgulho. no afã de mostrar ao mundo a maravilhosidade do seu ato.





(creio eu,
penso que,
proponho).
  

sábado, 30 de junho de 2012

junho ensamblado

junho está acabando. assim como as coisas, não tive paz. meu peso, massa, volume, temperatura e função, sentido!, ensamblaram-se neste mundo em festa. trabalhei no que é mediatamente meu - mas textos foram falados. e por mim. 


fim.  

mofo e sol

vou acabar com aquela pintura deprimente que fiz no porão. vou tapar de tinta branca. acrílica, porque à óleo não tem. depois vou tomar uma chimarrão. e, depois ainda, vou terminar aquela tela encomendada no século passado. mas antes, tirar o mofo.

depois que me alonguei tenho a sensação de ter quatro braços. e meu plexo solar está radiante. 

adeus mofo.

terça-feira, 12 de junho de 2012

aos quatro ventos

Neste dia dos namorados declaro meu amor às tuas idéias, aos teus sonhos, aos teus pensamentos, à tua forma de ver o mundo, às tuas palavras, aos teus abraços, aos teus beijos, aos teus amassos, aos teus erros e acertos, à tua voz, ao teu cheiro, ao teu ombro, aos teus conselhos, aos teus olhos, às tuas mãos, às tuas obras, aos teus projetos, ao teu tempo, ao teu jeito.

Neste dia dos namorados declaro meu ineiro amor a ti. Aos quatro ventos.