quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

para violentar o teu gosto

adriana calcanhotto risoto de galinha geladeira vazia cabelos bem curtos cachorros na cama camisetão puído calcinha bege sem banho 
novela das oito vinho rosé cigarro de cravo 
portas e janelas todas abertas

o despertar do diafragma

acordei poliglota, cantando. todas as línguas na minha. 



(férias: delícia de vidinha!)

desejo

provar para mim mesma que um blog de escritos ficcionais pode ser acessado e "até lido" pelos internautas. 

(porque a gente não quer só comida).  

logo, a tralha do contador abaixo me dá o testemunho de diversão e arte. 

(porque arteiros são naturalmente otimistas).

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

just [sol à pino]

come and open up your folding chair next to me*,
bom para suar.

the sea is just a wetter version of the skies*,
bom para voar.



[*Regina Spektor, Folding chair].

gato preto

gato preto atravessou a rua. do outro lado não tinha nada, nem um saco para rasgar. elegante como um gato preto, gato preto fitou o motorista com olhos de lamparina. o motorista temeu por superstição, e seguiu seu trajeto com o cu na mão. 

gato preto atravessou a rua só por diversão.  

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

sapatilha de oncinha

sapatilha de oncinha acopla-se no solo barrento. terracota. e faz ploft quando desgruda. por ser sapatilha não respinga na bunda. maravilha.

amor e flor

Amor, sinta saudade de mim. Não me deixe num canto inóspito nem no meio da bagunça nem num balaio de lembranças. Mas não me ponha na porta da geladeira nem na tela do computador nem no chaveiro de casa. Me acomode em teu peito e, só às vezes, me acorde
e me regue como a uma flor. 

manias

De todas as manias que a velhice traz, a pior de todas é o enclausuramento. No sentido metafórico e não-metafórico. Fechar as portas e janelas para barrar a entrada do vento é como tampar o nariz para um mergulho em si mesmo, à revelia do mundo que segue girando com suas belezas. É um outro tempo. Definitivamente.

palavras de Holga VI

"Estamos no mundo é para sentir. Mais do que para qualquer outra coisa, pelo que tudo indica. Os fatos mostram isso o tempo todo. Os bons e os ruins. E os neutros também. Se observarmos o entorno com atenção, podemos concluir que a única função primordial do homem é também primitiva e bela. Animal. O que ainda nos resta."
(Holga Lo-fi)

foguetes esparsos

é tarde do dia 31 de demebro de 2011. o ano vai e o passado se esvai no meu presente - sujando tudo e (paradoxalmente) limpando. fica uma outra coisa que não aquele passado. fez-se uma nova imagem. manchas e apagados e rastros e blefes e indícios e nada certo, que dirá o por vir. não preciso do futuro para existir. o agora é tudo e isso me agrada. estou feliz.  

lugar

vez ou outra passa um carro: barulho. cantos de pássaros variados e sinos de vento: música. os sapos-martelo só cantam à noite, e quando não cantam ouve-se melhor o som do brejo. nenhum lugar do mundo me é tão caro quanto este. aqui as árvores envelhecem comigo. flores brotam comigo. um tapete de musgo se formou no caminho de casa. e me recebeu debaixo de um céu branco. luz doida. bucólica.















tapete, 2012


teto, 2012

vista do mato

terra laranja vestida de verde. mais verde porque o sol não arde. céu branco, imponente - anuncia a paz dos de repentes. passarinhos diversos. cantos diferentes. orquestra de pios. sinos de vento em descompasso - descompromisso. e eu com isso? escrevo o que me passa. por prazer e basta.