quarta-feira, 29 de agosto de 2012

esse texto está

esse texto está truncado. onde, enfim: correria solto se não: truncasse. 

pois vem a palavra; pois vem o substantivo. e, em vez de vírgula ou verbo, aparecem pontos - diversos, esquecidos, em desuso. 

assassinando a gramática. parindo outra lógica. isso é coisa de ousado ou imperito. ou de quem seja os dois. mas essa parte não: interessa. 

 esse texto está truncando. onde, enfim: correria solto se não.  

sábado, 25 de agosto de 2012

Ainda bem

Ainda bem que cresci ouvindo (e lendo) coisas das quais os outros me diziam que me fariam mal. Porque encontrei o bom.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

dezesseis

é dia dezesseis e ainda não escrevi nada nesse mês. preciso escrever alguma coisa, uma coisa qualquer. que venha então alguma idéia que destrave a máquina escrevedora-pensante. 

[pausa]

nada além, só as antigas coisas velhas. miséria mental, perecimento. que venha então o cimento.

[pausa]

e depois o tijolo e outro tijolo. bem assim, após a vírgula e antes do ponto.



#pronto, escrevi.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

parar de fumar (I)

parar de fumar é um ato bravíssimo. porque escarafuncha a vida e revolve o mundo. toda a desilusão emerge. e só depois de um longo, denso e volumoso tempo ela cansa e afunda.    


hortografia

Palavrinhas plantadas com rigor e alegria.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

ποιο είναι το νόημα;

Ler em inglês me deixa exausta. Por mais interessante que seja o texto. O dicionário me assalta. Me dá significados mas me tira as forças. 
E parece que leva, afugenta ou rouba o meu português. ποιο είναι το νόημα;

quando ando

quando ando triste e louco só consigo ler. filosofia. todo o resto torna-se desgastante e inútil. um nonsense sem a menor graça. engraçado é que quando ando alegre e são eu leio biografias. e ficção.  


a leitura técnica deixo para os momentos neutros de emoção.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

coleta seletiva


A quem possa interessar, quando fui síndica, surtei ao ver feijão misturado com garrafa pet no lixo do condomínio. Agora estou prestes a me mudar para uma cidade que não tem coleta seletiva. Imagina ver essa cena de horror pela cidade inteira! Não sei o que será de mim. Fico sonhando em mudar isso, revolucionando o sistema de coleta de lixo da cidade. Me imagino com a tiara da Mulher Maravilha (e com aquelas pernas, claro). Sentirei mais falta do caminhãozinho verde do que dos cinemas e dos parques. #fato. Faço votos que lá eu encontre outros como eu, dispostos a formar uma Liga da Justiça. Já botei na mala os braceletes e o laço mágico. Só faltam as botas. 




[me divirto pensando na recepção das bobagens que eu escrevo... coisas que não interessam a ninguém senão a mim mesma. que atividade esquizofrênica a minha! pensando mais, amplio essa concepção e, num sentido macro, tudo se esvazia. resta só uma ervilha. nela está escrito: "carlinha, vc é louca!". e eu digo: "obrigada".]

domingo, 22 de julho de 2012

sr. P

Ele só saía de casa com um (único) objetivo: colher elementos para seus personagens. Juntava-se às pessoas não por saudade ou desejo de encontrá-las. Era um pescador de idéias, um liquidificador de personalidades.

Acho que isso de catar características alheias é tipico do escritor. Mas ele ia além. Esse era o hábito que determinava todo o resto. Creio que para enfrentar saraus e salões necessitasse desmarejar.     

Por isso, os hábitos. Nada escapava ao seu olhar duvidosamente compassivo. Céleste só arrumava o quarto quando ele se ausentava. Trocava os lençóis diariamente. Servia-lhe o café numa bandeija de prata, junto com um croissant. Mas ficava atenta à campainha. Caso tocasse, deveria levar um segundo. Todos os dias.

Foi um homem doente. Só amou verdadeiramente sua cama e seu desjejum. E eu não acredito em nada disso. 

a semana

a semana começa por seu próprio peso. com a barriga cheia, ela vem de um domingo leve e esolarado. instala-se sobre o calendário amassado. pede um copo d'água. faz aquela cara dissimulada.

pobre segunda-feira, primogênita injustiçada.

Ando

Ando lendo umas coisas antigas. E isso se reflete na minha escrita. Coisa esquisita! 

Nem tão pirada porque ainda escrevo merda, caralho, bucetas. Kuduro. Oi oi oi oi.

Ainda quero tchu. 

seus olhos me perguntam

por que deter-se na frente dessa coisa quadrada? por que abdicar da rua para dedilhar essa coisa que sequer faz música? por que escolher a sombra de palavras mudas?  



[olhos de Lord Belot]